palavrear

era proibido, esquecido, deturpado. um romance que jamais deveria ter sido contado.

now i know where to go

hoje eu acordei totalmente perdido e desorientado. não aguentava mais esperar pelo resultado do vestibular e estava cansado. tinha dormido mal. ansioso.
quando entro no site do vestibular: NADA. a agonia não tinha passado ainda.
eu estava confiante, mas ainda tinha dúvidas. medos. não sabia o que faria se não passasse… seria… estranho.
meu terceiro ano fazendo vestibular e eu não tinha pra aonde ir se não passasse.
mas, depois de tanto atualizar o site, derrepente, a página principal começa a mudar. depois a página do vestibular e, por fim, a página de aprovados.
fiquei surpreso. em choque. não sabia o que fazer. meu nome estava lá.
aprovado.
era um sonho se realizando. não tive reação.
eu vi alí, naquelas letras, o meu futuro escrito. o meu destino chegando ao presente e me fazendo feliz.
eu estourei.
só consegui chorar e chorar. esperei anos por isso e agora era real.
era palpável. estava na minha frente.
no primeiro momento eu só consegui pensar em chorar e em meus pais e irmã.
eles que estiveram comigo o tempo todo, me apoiaram incondicionalmente, acreditaram em mim quando nem eu acreditava mais e o principal, me aguentaram ultra estressado nos últimos dias.
depois meus amigos que me apoiaram e acreditaram em mim e me deram força.
foi muita coisa em minha cabeça e eu só conseguia chorar.
minutos atrás eu era uma dúvida e agora eu era a maior certeza do mundo.
estive, estava e estou realizado.
enfim, meu sonho se tornou verdade.

pai, mãe, irmã e amigos… amo muito vocês!

Arquivado como:Diogo Moraes

as três fases da espera

sempre que é precisso passar por algum tipo de espera longa, à meu ver, transitamos entre três diferentes fases psicológicas: a primeira, é a fase da ansiedade, a segunda fase, é a fase do pânico/medo, e, por fim, a terceira fase que é a fase do ódio. essas fases podem durar minutos, horas ou até dias, dependendo do nível de ansiedade e da estabilidade emocional daquele que aguarda.

na primeira fase, a ansiedade, o indivíduo está sobre uma placa de vidro frágil, na qual deve andar devagar. através de um descuido, essa placa pode se quebrar e a pessoa cair em um poço de reflexos físicos que irão afetar sua saúde física e mental. é extremamente possível controlar a força da pisada, mas depois que a queda ocorre, não se pode mais controlar os efeitos da mesma, é possível apenas controlar os “ferimentos” para que os mesmos não aumentem.
é uma fase de cuidados, principalmente fisicos, pois a ansiedade pode refletir em problemas de saúde e de ordem mental, ocasionando mais apenas um mal estar momentâneo. podendo até deixar sequélas temporárias ou permanentes.

a segunda fase, a fase do pânico/medo, com o vidro quebrado, o indivíduo percebe que a segurança dele não está mais presente e que agora ele está misturado com o resto das emoções. com os estilhaços em volta, o indivíduo acaba por entrar em desespero e se perder em tentativas de sair dalí. é um misto de sensações que desestabilizam o sistema emocional da “vítima”, levando-a à pensamentos desagradáveis e poderá ocasionar uma situação depressiativa. é normal que a pessoa se sinta acuada e começe à pensar em possibilidades absurdas e até ilógicas para a situação, já que a mesma se encontra sem algo sólido em que se apoiar, pois a espera não chegou ao fim e não se sabe se valeu realmente à pena.

a terceira fase, o ódio, é bastante comum e turbulenta.  depois de tentar sair do buraco em que se encontra, o indivíduo acaba por se enraivar e descontar a raiva em objetos, pessoas e até mesmo em situações se sentido. é comum a explosão e a sensibilidade exagerada. cansado de esperar por algo que não chega e de se sentir instável, a pessoa começa à manter sentimentos negativos pelo objeto/pessoa/resposta que espera e, subconscientemente, se torna agressiva e começa à afastar tudo o que lhe possa lembrar de sua angústia. essa fase só deverá passar quando a espera acabar ou quando o índivíduo desistir de esperar e resolver “partir pra outra”.

Arquivado como:Diogo Moraes

just one day more

menos de um dia pra minha vida mudar. seja pra pior ou pra melhor.

tanta coisa está se passando em minha cabeça  nos últimos dias e eu estou chegando ao ponto de não conseguir controlar mais isso.
e se eu falhar? e se eu cheguei à porta e não consegui entrar? e se eu não mereçer isso?
e se eu viver para sempre sabendo que eu sou apenas o cara do “quase” e que meus objetivos sempre estiveram na minha frente e eu não pude alcançá-los porque eu era fraco demais ou porque eu não tive capacidade o suficiente?
são noites mal dormidas em que os pensamentos não me deixam descançar, o estômago embrulhado não me deixa comer direito, e a cabeça gira como um peão à cada vez que penso no que pode acontecer e no que pode mudar apartir de tudo isso.
o quanto posso ganhar? o quanto posso perder? quanto meu caminho pode mudar depois disso?
tantas perguntas em aberto e eu não posso responder nenhuma delas agora, não importa qual seja o tamanho do meu intelecto ou da minha instrução.
se eu estou perdido? não. talvez eu apenas esteja assustado.
assustado com tanta mudança que está por vir, ou não. assutado com tantos caminhos que minha vida pode seguir apartir de agora.
ou talvez eu só esteja enfrentando algo que eu não estava, e talvez nunca esteja, preparado pra enfrentar: a incerteza.

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people

eu só preciso de um caderno e uma caneta pra ser feliz.
se eu tiver isso, poderei andar pela cidade, por cada canto da cidade, escrevendo o que vejo e o que sinto e, só assim, exercendo a magia da escrita e o amor que existe em  cada prédio, cada pessoa e cada pedaço dessa cidade.
só preciso disso e me sentirei completo e eternamente feliz.

sabe, eu vejo que muita gente perdeu a humildade. perdeu a vontade de falar com o ser humano e passou à falar com quanto dinheiro cada um tem no bolso.
as pessoas tem histórias magníficas que ninguém conhece. que ninguém se interessa por saber ou por tentar entender. aprenderam à julgar-lás pelas roupas que vestem e pelos produtos que consomem.
é um hippie na rua, uma menina numa loja, uma mulher estressada ao telefone, o segurança do shopping,  a vendedora de uma lanchonete.
são histórias tão mais perfeitas que aquelas de filmes hollywoodianos
tem pessoas que te recebem de mau humor, mas quando você, ao invés de só ignorá-la, deseja uma boa tarde à essa pessoa, ela muda completamente. muda o dia e a vida dela. essa pessoa se sente feliz e notada. se sente importante, nem que seja por um instante, nem que seja para um desconhecido.

é simplesmente perfeito conhecer as pessoas por quem elas são por dentro.

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a sabedoria de Ganesha

“Shiva e Parvati possuíam um fruta de inigualável valor. A fruta possuía um aspecto maravilhoso que imediatamente atraiu os dois filhos dos deuses. Ganesha, o primogênito e Kartikeya (as vezes de nome Skanda). Ambos desejavam a fruta para si, quando Shiva começou a explicar que aquela fruta tão esplêndida não era comum, muitos devas a desejavam pois aquele que dela provasse teria o poder do Supremo Conhecimento e Imortalidade.

Shiva e Parvati decidem então jogar com seus filhos e eis a determinação de Shiva: Aquele que demonstrar melhor desempenho na tarefa que eu lhes der poderá ter para si o fruto. Eis a prova, vós devereis correr em volta do mundo três vezes, aquele que executar a tarefa mais rápido será o vencedor. Assim eu determino e assim será.

Kartikeya orou aos deuses propícios e rapidamente tomou lugar em seu magnífico pavão levantando vôo em extrema velocidade como um raio que cruza o céu.

Ganesha na mesma hora estava com um semblante tranqüilo, e bastante sombrio. Ficou claro aos pais que Ganesha por ser mais pesado e seu veículo, o rato, ser bem mais lento que o suntuoso pavão de Kartikeya perderia o jogo. Porém Ganesha lentamente pois-se a sorrir e aparentemente não fazia força nenhuma para ser mais rápido. Intrigados os pais indagaram porque ele não começou sua jornada. Ganesha então montou em seu rato e prestou grandes reverências aos pais dando três voltas em torno deles. Então ficou claro a perspicácia de Ganesha quando respeitosamente ele disse:

‘- Meu ilustre Pai Shiva e sua Shakti são o Universo Inteiro. Neles está localizado o Mundo. Não necessito ir a lugar alguns se conhecer a essência de meus divinos pais.’

Certamente Ganesha foi o vencedor do jogo e provou o fruto do Supremo Conhecimento. Tornando-se assim o mais sábio entre os deuses.”

quando ouvi essa  história hoje, fiquei magnificado com tamanha beleza e tamanha doçura da atitude de Ganesha. meu queixo foi ao chão e, com isso, cai na real e notei que eu jamais dei três voltas em torno de meus pais e que jamais tinha notado que eles são realmente o meu mundo, o meu universo e as pessoas mais sólidas que eu tenho para me apoiar em toda a minha vida, e que eles merecem, não três, mas milhares de voltas.
percebi que eu não dou o valor que eles mercem exatamente e que eles serão sempre imortais e serão sempre o conhecimento supremo para mim.
talvez eu nunca tenha esboçado dizer o quanto eles são importantes pra mim.
dizer que não importa quantos alicerçes caiam em minha volta, eles serão sempre a minha coluna central e o sustento único e eterno em minha vida.
e que não importa quão alto eu chegue ou esteja, eles sempre estarão comigo, ao meu lado, me sustentando e me apoiando em qualquer situação.
mãe e pai, acima de tudo e acima de qualquer coisa: vocês são meu universo e eu amo vocês eternamente, independente do que aconteça.

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o último pedido de perdão

uma das coisas mais tristes que eu já pude vivênciar em minha breve vida, foi ver uma pessoa, no final de sua existência física, olhar nos olhos daquela que segurava-o  e pedir o mais sincero perdão que alguém pode pedir, entre soluços e lágrimas.
pedir perdão por tudo o que fez. por tudo o que disse, por tudo o que aconteceu e por todos os erros que cometeu por querer e sem querer.
é como se soubesse que o fim de todo aquele sofrimento está próximo e , antes tarde do que nunca, desejasse consertar os erros com aquela pessoa que mais ama e que sempre esteve ao seu lado enquanto precisava, enquanto sofria e até enquanto dormia, cuidando para que seu sono fosse tranquilo e quando acordasse, visse que jamais esteve sozinho.
é como se precisasse daquele perdão pra poder descançar e dormir em paz, depois de anos vivendo uma “noite em claro”.
anos errando e julgando,  machucando, sabia que era hora de tentar corrigir os erros, apagar de vez as marcas que o passado deixou.
nem que sejam apenas no coração e na alma. nos pequenos pedaços que significaram as grandes mudanças no curso da vida e das coisas.
uma das coisas mais tristes que já vi, também foi uma das mais belas e mais emocionantes. pena que foi em tais cirscunstâncias.

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things that we don’t say

“sabe quando você quer fechar os olhos e viver um mesmo dia o resto da vida?”
uma simples frase que me fez revisitar tantos momentos que eu gostaria de reviver, tantas pessoas que eu gostaria de reencontrar, tantos olhos que eu gostaria de olhar novamente e tantos corações que eu gostaria de não ter perdido.
eu fui desde minha infância em uma cidade do interior com amigos que me faziam brilhar cada vez mais e que não permitiam que uma lágrima se quer caísse de meus olhos, até uma adolescência solitária e dura em que eu aprendi que chorar pode ser a única saída de momentos em que não se pode fazer mais nada.
fiquei pensando em todos os momentos em que eu construi amizades, amores, sentimentos bons e ruins. momentos em que construi muralhas que me protegem de forna inigualável e momentos em que eu derrubei essas muralhas só para correr todo o risco que eu pudesse correr.
foi como abrir feridas que já estavam fechadas, mas de um jeito que eu nunca tinha experimentado. ao contrário de todas as outras vezes, eu abri as feridas dessa vez para lavar. para colocar para fora tudo o que há de ruim e deixar apenas a parte boa de tudo aquilo.
em uma outra vida, eu aprendi que temos que deixar as coisas para trás. mas nessa vida, eu aprendi que mesmo deixando para trás, nunca devemos perdê-las de vista e muito menos esqueçer aonde deixamos.
sabe quando você quer fechar os olhos e viver um mesmo dia o resto da vida? eu não peciso disso. pois meus melhores dias são revividos todos os dias no meu coração saudoso.

Arquivado como:Diogo Moraes

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