palavrear

era proibido, esquecido, deturpado. um romance que jamais deveria ter sido contado.

cavando buracos

dizem que é bom deixar o passado no passado, mas eu ainda acho melhor, revirar o passado até que o mesmo esteja desgastado e possa ser esquecido. reler cartas e histórias, rever fotos guardadas em uma caixa no fundo da gaveta, passar nos lugares aonde se viveu momentos ou, simplesmente, relemebrar das coisas e sentir saudade até que esta não caiba mais dentro do peito.
talvez essa seja uma forma masoquista de se pensar ou uma tentativa de se purificar pelo auto-flagelo, mas eu não ligo. talvez conseguir esqueçer de tanto lembrar seja a maneira mais fácil de se viver ou de se entender a vida.
é simplesmente mais doloroso e mais rápido, fácil, de se esqueçer assim, quando se intensifica tudo até o máximo e, no final, não sobra nada. quando procura-se é o vazio que se encontra. e, só assim, serei capaz de fechar aquele ciclo e começar um novo, com novas pessoas, novas idéias, novos amores, novas fantasias e novas fugas.
e, afinal, qual a verdade nisso tudo? qual o sentido de tanto sofrimento? crescer? se o sentido disso tudo for para o crescimento pessoal, me deixe pequeno. me deixe inerte. me deixe morrer. não quero crescer. não quero mais crescer. não quero mais sofrer.

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minha dor não é a única

a melhor maneira de aliviar minha dor, é sofrer mais ou fazer os outros sofrerem. eu deveria me sentir culpado por causa disso, mas não me sinto. a única coisa que consigo sentir, por assim dizer, é alívio por minha dor não ser a única. alívio porque, talvez e apenas talvez, eu consiga causar mais dor do que causam em mim. triste? cruel? talvez. ou talvez seja, simplesmente, uma maneira de fugir e não ter que enfrentar tudo o que tenho que enfrentar sempre. me divertir com o sofrimento alheio. causar justiça. lutar pela igualdade da dor. falando assim até pareço um maníaco ou um doente. que seja. eu apenas não quero sofrer e, somente eu, sou capaz de enxergar a verdade e os motivos por detrás de minhas atitudes. ninguém pode me julgar. ninguém é capaz de me julgar. ninguém. e, se eu não conseguir que os outros sofram, hei de sofrer mais ainda. cada vez mais e mais, até que eu não possa mais aguentar e surte. enloqueça e deixe de tentar. decida parar de sofrer e me cale ou esqueça. mais uma fuga. só que dessa vez, uma fuga tão dolorosa ou mais dolorosa ainda, pois não há alívio. há apenas a certeza de que, uma hora, toda e qualquer dor irá passar. só resta esperar. ou voltar ao plano anterior. loucura? que seja então.

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boca, nuca, mão e a tua mente não

o cheiro de sexo e suor penetra em cada fresta do quarto, sobe pelas paredes e inebria o meu ser, tirando o meu ar e a luz que me cerca, colocando-me em um escuro de prazer e saudade.
procuro entre meus sílios postiços os teus olhos negros e somente os encontro perfeitos e inertes, olhando para o infinito do abismo que escorre por entre teus lábios.
ao teu corpo molhado me entrego, perdido entre sentimentos que nem eu sei explicar. tentando entender como e porquê sua frieza me atrai, me excita, me faz desejar cada vez mais o beijo que nunca me deu.
e rolo na cama com você, nesse ritual sem sentimento e sem sentido, sem que ao menos me encare ou me ame. que me deseje além de corpo. que faça de mim o seu amante e não apenas uma noite te sexo.
queria que me tocasse e não apenas tocasse o seu ego pequeno e desajustado. que pudesse me olhar nos olhos e identificar o amor que trago neles. que visse o  homem que existe dentro deles, esperando para te amar e ser amado em troca.

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eu não posso ser o seu porto seguro.

estou em meio ao oceano, boiando e sendo levado pelas ondas, seguindo o vento e tentando alcançar o sol.
estou distante da praia, do chão. imerso em tantas coisas à minha volta que me sinto perdido sem uma bússola ou um mapa.
eu não posso ser o seu porto seguro agora, o seu farol, pois eu não posso construir minha fundação. não aqui. não nesse momento. e, sem uma fundação, eu não posso ser um porto seguro pra mim, quanto mais para qualquer um.
como posso ser a segurança de alguém se nem eu mesmo sou capaz de me segurar, me manter à salvo de todas as coisas que podem e estão por vir?
eu não tenho o direito de pedir que jogue sua âncora na praia e fique esperando que minha luz acenda e eu possa iluminar o seu caminho. que fique esperando por algo que pode nunca acontecer. é injusto. é irracional. é desleal.

estou prestes à afundar e não quero e não posso levar ninguém comigo.

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calor

as pessoas sempre podem ser mais do que apenas aparentam.
um sorriso,  uma conversa, um olhar, um jogo no banco da praça, uma resenha no pátio da faculdade, calor humano que transpareçe nos pequeno detalhes que poucas vezes notamos simplesmente por não querer notar ou porque não estamos prontos para notar.
e qual pode ser o tamanho da surpresa quando você nota que aquela pessoa que você mal olha e mal conversa, pode ser tão agradável que você passa a gostar de graça?
pessoas que você sabe que pode contar, que sabe que estarão lá durante os próximos anos e que toda a cumplicidade que está começando à ser criada, é um bônus para a convivência.

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falta tempo pra respirar

estou preso no engarrafamento, tentando pensar em algo pra escrever, pra postar, mas nada me vem à mente. somente trabalhos, projetos, pesquisas e sonhos de um futuro próximo. mas não sobra espaço para o resto, para viver, respirar ou simplesmente tentar viver.
tento andar e não tenho pressa. na verdade tento até retardar o passo para me sobrar tempo entre uma letra e outra para observar o horizonte e a vida que se passa em volta de mim.

falta tempo até pra terminar de escrever este post…

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só o tempo desfaz suas marcas

hoje ainda dóem as cicatrizes que ficaram marcadas em minha pele. como se tivessem sido marcadas ontem. como se toda e qualquer dor delas fosse permanente.
ainda sinto o corte em minha carne que suas palavras deixaram, e o frio que eriça os pelos de meus braços deixado pelo vazio que ficou quando você se foi.
a saudade ainda faz escorrer por minha pele o suor do esforço que faço pra te esqueçer.
mas, o que mais machuca é saber que só o tempo vai poder apagar tudo isso. só o tempo vai poder desfazer as marcas que essa história deixou. e, enquanto isso, eu venho sofrendo e sentindo dores infinitas e intermináveis todo dia. arrancando batidas do meu coração e ar dos meus pulmões. defenestrando lágrimas pelas janelas de minha alma partida e ferida. deteriorada.
mas até quando? até quando eu vou lembrar dessa história sem sentir que uma lâmina atravessa o meu coração?
até quando eu vou ter que mandar meu coração parar de bater toda vez que ele tenta me manter vivo e manter vivo esse sentimento?
até quando eu vou sofrer assim?
hoje ainda dóem as cicatrizes que o passado marcou em mim.

Arquivado como:Diogo Moraes

Cronologia

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