é tanto sobe e desce, leva e tráz, tira e bota, que deve ser simplesmente impossível aguentar tanta dor e sofrimento. e ainda se atrevem à dizer que é melhor assim.
não tenho embasamento ou conhecimento médico para discordar, mas tenho um conhecimento afetivo e humano o suficiente para ter certeza de que isso não lhe faz bem. essa movimentação toda, tira, aos poucos, os últimos suspiros que lhe restam.
não entendo como pode te fazer bem, ficar sendo mexido e machucado da forma que está sendo feito.
arrastado em macas frias, perfurado com agulhas estéreis, alimentado por uma sonda que atravessa o estômago, respirando por um tubo em seu nariz. fora as aspirações, que são uma tortura à parte.
se isso for bom, eu não sei o que é ruim. te juro.
isso tudo, sem falar dos corredores vazios, dos quartos pálidos e sem vida, do silêncio mórbido que reina em cada canto. como se todo o prédio fosse um grande velório.
meu maior desejo era te tirar daí. tirar você desse lugar pseudo-angelical e te levar para um lugar melhor. um lugar que, talvez, eu não possa entrar - e talvez nunca entre -, mas, um lugar aonde você merece e sempre mereceu estar.
Arquivado em: Diogo Moraes