Terça-feira | 30 | Junho, 2009 • 7:13 am
tem horas que eu não aguento mais ficar de pé, não aguento mais respirar, não aguento mais fingir sorrir quando o que eu mais quero é chorar. e, nessas horas, só me resta gritar. gritar para os céus, gritar para o sol, gritar com as pessoas e gritar por dentro até que meu coração se quebre em mil pedaços.
tem dias em que eu não consigo me olhar no espelho, sem querer socar até que cada pedaço que saia penetre em minha carne. são dias de ódio e tristeza que me consomem e me colocam tão para baixo, que só me resta gritar. gritar até minha voz sumir, gritar até que meus pulmões percam o ar, gritar até que, em minha cabeça, eu só consiga ouvir minha própria voz machucada.
tem momentos que o sol parece se esconder e eu sinto frio, sem poder me aquecer, sem poder suportar todo o peso que foi, e ainda é, jogado sobre os meus ombros. e, nesses momentos, só me resta gritar. gritar até que a solidão passe, gritar até que alguém me note e me ajude à carregar meus problemas, gritar até que eu não aguente mais viver e, finalmente, caia sob o chão que piso.
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Segunda-feira | 29 | Junho, 2009 • 7:13 am
em algum momento de minha caminhada, eu me vi perdido. eu segui, o tempo todo, pelo caminho mais certo, o mais sólido. pelo caminho que eu achava que deveria seguir e, quando, finalmente, parei e sentei, notei que talvez aquele não fosse o caminho.
no começo, tudo eram flores e feiches de luz. o caminho era iluminado e reto, como a estrada de tijolos amarelos*. mas, no meio do caminho tudo mudou. o que era reto ficou torto, o que era iluminado ficou sombrio e o que era certo ficou duvidoso.
o que fazer? para aonde ir? me vi perdido e não sabia o que fazer. eu não podia voltar atrás, e isso eu sabia. mas e continuar? o que seria de mim se eu continuasse?
decidi que talvez fosse hora de me sentar e esperar. esperar que o sol mudasse de lugar e me iluminasse novamente. esperar que a chuva viesse e lavasse meu corpo e minha alma. esperar que, em algum momento, minha mente se clareasse e eu pudesse decidir o que fazer.
* estrada de tijolos amarelos – referência ao livro “O Mágico de Oz” de Lyman Frank Baum.
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Domingo | 28 | Junho, 2009 • 7:13 am
depois de tanto esperar e lutar para não me tornar igual à todas as pessoas que se fecham para o mundo, eis que me olho no espelho e vejo que estou tão igual à eles que nem me reconheco. me tornei mais um deles, frio e calculista. uma pessoa de palavras cortantes, que perfuram os corpos atrás das feridas mais profundas, somente pelo prazer de machucar. de ferir como foi ferido.
começei a pensar e notei que parei de medir as palavras e a profundidade à que elas chegam nas pessoas. passei a perceber que minhas palavras estão machucando muito mais do que deveriam, ou talvez muito menos do que eu queira. talvez eu tenha me tornado mal, ou talvez eu esteja apenas me libertando do meu maniqueísmo. do maniqueísmo que me foi imposto quando eu adentrei na sociedade hipócrita em que eu vivo.
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Sábado | 27 | Junho, 2009 • 7:13 am
existem momentos em que não se aguenta mais. que todos os sentimentos são colocados pra fora. e, depois disso, depois que tudo for mudado, feito e falado, as coisas jamais voltarão à ser como foram um dia.
amizades serão destruídas, amores serão acabados, novos amores serão feitos e novas amizades adquiridas. todas as raivas e angústias serão jogadas ao vento e proferidas para causar dor, e assim, feridas serão abertas.
não haverão palavras que possam curar o que foi feito e dito. não haverá nem espaço para que as palavras tenham chance de curar o que quer que seja. e não haverá vontade, de qualquer lado, para curar. o que foi feito, foi feito. o que foi dito, não se apaga. o que foi sentido, não se nega. foi um momento divisor de águas.
existem momentos em que não se aguenta mais. que todos os sentimentos são colocados pra fora. e, depois disso, depois que tudo for mudado, feito e falado, as coisas jamais voltarão à ser como foram um dia.
idéias serão construídas e momentos ficarão guardados. as mudanças, todas que estavam iminentes, foram realizadas e agora só o tempo dirá o que vai acontecer. que caminhos as pessoas irão seguir. que decisões deverão ser tomadas. que segredos deverão ser guardados. só o tempo irá dizer quantos sóis nacerão até que tudo se ajeite.
e independente do que aconteça, talvez nada mude. talvez as ligações continuem as mesmas. mas nada será como antes. tudo vai haver mudado. desde a cor que o sol tem ao se pôr, até o brilho que a lua terá ao nascer no final do dia.
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Sexta-Feira | 26 | Junho, 2009 • 7:13 am
hoje eu acordei esperando ouvir sua voz. acordei querendo sair somente para te encontrar, segurar suas mãozinhas e te guiar pelas ruas desconhecidas da vida e da cidade. queria te ouvir me chamar e responder à todas as suas perguntas.
hoje eu acordei sentindo falta de você e do seu sorriso. tudo me lembrava você. o ônibus, o sol, a praia. e à todo momento, eu me lembrava de você e que tive que te deixar no aeroporto, sem olhar para trás, para não acabar chorando.
hoje eu acordei tentando voltar atrás e viver todos os dias o dia de ante-ontem. a quarta-feira mais louca e mais bela de todas.
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Quinta-feira | 25 | Junho, 2009 • 7:13 am
parecia que tinha durado uma eternidade. os dias tinham passado devagar, eu tinha feito coisas que não fazia há tempos, ido à lugares que não ia há tempos e experimentado uma sensação que nunca tinha vivido antes: amar e ser amado em tão pouco tempo.
toda a dor nos ombros, braços, costas, pernas e resto do corpo valia à pena naqueles momentos em que o meu Pequeno Príncipe pedia colo ou me chamava para correr ou admirar o mar com ele.
era como se eu conheçesse aquela criança que me chamava de titio desde o dia em que nasceu. cada manha, cada birra, cada sorriso, cada gargalhada. tudo me tocava de uma forma que eu jamais esperaria que fosse ser tocado.
e agora eu estava alí. parado no aeroporto, vendo meu sobrinho ir embora. passando pelos portões, distribuindo acenos tristes para mim. tentei ainda brincar, fazer graça, mas não adiantava. meu coração estava em frangalhos. estava triste e em pedaços.
tive que me despedir, quando o que eu mais queria era voltar, tomá-lo nos braços e não deixar que ele se fosse. tive que me conter ouvindo o meu Pequeno Príncipe repetir para a mãe que iria chorar. tive que colocar meus óculos escuros para não deixar transparecer as lágrimas que queriam escorrer por meu rosto.
e, em um pequeno momento, estava tudo acabado. aquele menino tão pequeno, tinha aberto um espaço enorme em meu coração para ficar e agora estava partindo. me abandonando, com um vazio grande e com sua voz me chamando de titio gravada na memória.
Pequeno Príncipe, vou sentir muito a sua falta, viu?! Amo você.
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Quarta-feira | 24 | Junho, 2009 • 7:13 am
o dia não parecia que ia ser bom, mas acabou sendo melhor do que o imaginado. a chuva que ameaçava cair, não ameaçou a diversão e, no fim, até o sol ficou mais bonito. esperei seis anos para poder viver esses momentos e, por mais que eu soubesse que iria acabar, eu estava amando viver cada pedaço dos meus dias. cada segundo. cada passo. cada sorriso e cada olhar que eram me dirigidos.
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