palavrear

era proibido, esquecido, deturpado. um romance que jamais deveria ter sido contado.

22:53h [especial] / volta: o conto de mário

que se ouvia, a descrição do “destemido” se parecia cada vez menos com o mário que saíra em viagem.

os olhos se tornaram negros, as mãos calejadas, os cabelos sujos e desgrenhados, a postura torta, a voz enrouquecida e as atitudes grosseiras demonstravam que mário já não era o mesmo, e este sempre se perguntava o que tinha acontecido à ele…

em um dia chuvoso, mário, já cansado e velho, decidiu que aquela seria sua última luta e que era hora do velho corcel se aposentar… se arrumou, colocou sua armadura, até então impenetrável, fez a barba, cortou o cabelo e penteou-o, passou o seu melhor perfume e foi à sua última luta.

lutou contra um gigante de tamanha altura. lutou bravamente e corajosamente, até que não agüentou mais. emocionado, se ajoelhou, abaixou as armas e as mãos, e se entregou à luta. deixou que o gigante lhe desse um golpe único e fatal, e caiu no chão. ainda teve tempo para chorar e pensar:

- eu vivi, eu viajei, eu lutei, eu fui alguém que nunca imaginei que pudesse ser. eu fui conhecido pelo mundo, e comentado pelos quatro ventos… mas sempre fui só. Sempre estive só. eu vivi só, eu amei só, eu chorei só, e agora, morrerei só.

mas, enquanto chorava, mário ouviu vozes. vozes gritando, clamando, declamando o amor e o orgulho que sentiam dele. mário juntou todas as forças que lhe restava e se virou.  pôde então enxergar aqueles que ele um dia deixou pra trás, ali, ao seu lado. ele percebeu que aqueles que ele achou que o tinham abandonado sempre estiveram com ele. e então ele lembrou… e percebeu que, quando esteve nos navios em alto mar, eles estavam ali, em jangadas mal construídas, acompanhando e acalmando as feras. quando ele esteve nas Índias, eles o seguiram fazendo sombra. quando esteve no deserto, eles trouxeram chuva para aliviar o calor. quando nas savanas, espantaram os mosquitos e alimentaram os animais…

mário chorou. enfim ele percebeu que jamais esteve sozinho, e que, por mais discretos e sigilosos que fossem, aqueles que o amavam nunca desistiriam dele ou de estar ao lado dele.  ele percebeu que o amor que eles tinham continuava vivo e cada vez mais forte.  percebeu que viveram juntos, que amaram juntos, envelheceram juntos, e o mais importante, nunca deixaram de se amar.

enfim, mário pode VOLTAR.

Arquivado como:22:53 h

22:53h [especial] / à um passo do infinito

“é assim que você me deixou, eu não estou fingindo… nenhuma esperança, nenhum amor, nenhuma glória… nenhum final feliz! é assim que nós amamos, como se fosse para sempre… então viva o resto da nossa vida, ambos separados”

lembro-me como se fosse ontem de ouvir o choro de meu coração parado, naquela noite nublada, voltando pra casa.
queria ter te levado de volta, queria ter te dado um abraço, queria poder dizer tudo o que não tinha dito, queria poder te dizer que iríamos nos ver novamente um dia… queria ter feito tanta coisa.
se hoje me arrependo de algo, foi de não poder ter te dito que te amava pela última vez.
ainda hoje me olho no espelho e vejo as cicatrizes que isso deixou em meu corpo e em meu coração.
façe e alma dilaceradas e não há nada que eu possa fazer, se não sentir saudade.
talvez seja tarde pra muita coisa, assim como foi tarde para voltar atrás um dia.
hoje eu sinto que reencontrei meu norte e meu amor.
vejo as mensagens em meu celular, as ligações perdidas e a saudade retorna, como quem foi dar uma volta.
por mais que eu possa ter tirado a chave do meu pescoço, eu jamais à tirei do meu coração e de perto de mim.
se hoje eu tivesse o poder de voltar no tempo, eu voltaria para 22:52h daquele dia e te impediria de partir, assim como te impedi de ir embora do meu coração.
… saudade que dilacera.

e nunca se esqueça:
“my door is always open, you can come anytime you want!”

Arquivado como:22:53 h

22:53h [ 7 ] / águas de março … sempre passam.

sem você, todos os dias duram semanas.
sem você, todas as músicas perdem o rítimo.
sem você, até o doce se torna amargo.

quantas noites já se passaram.
quantos dias o pátio esteve vazio.
quantas batidas meu coração já parou.

tem dias que eu sento e simplesmente paro à pensar sobre tudo o que houve. não fico surpreso quando vejo que pensei simplesmente as mesmas coisas que pensei nos últimos 215 dias e que não foi o tempo que fez a intensidade diminuir, pois a mesma continua igual.
tem dias que eu simplesmente tenho medo de chegar à janela e ver a rua vazia.
mas tem dias que eu vejo que talvez tenha sido melhor. você está melhor.
como me opor à algo que, mesmo depois de tanta dor, fez raiar o sol novamente?
ao menos para alguns.

apenas um sonho:
depois de tanto tempo, finalmente ganhei um beijo teu.
o mais belo e doloroso beijo de toda a minha vida.
um beijo que acalentou minha alma e ao mesmo tempo queimou os meus sentidos.
o mais triste beijo do mais triste segredo.
o mais profundo segredo do mais partido coração.
com dizia Tom Jobim, “é pau, é pedra, é o fim do caminho”, e foi somente isso que este beijo significou.
o fim, somente o fim ou o começo do fim, mas nunca um início.
somente isto tenho à dizer sobre este momento de minha vida.
… do pó viemos e ao pó voltaremos.

Arquivado como:22:53 h

22:53h [ 6 ] / how long…

tarde da noite, me encontro sentado no parapeito da minha janela gradeada, tentando imaginar o que você deve estar pensando ou fazendo.
imagino se a mesma lua que está a me iluminar, é a mesma que ilumina você…
imagino se o que eu canto pro vento, é o mesmo que o vento leva até você…
tantas reticências, tantas histórias abertas, e a noite insiste em não passar.
madrugada à dentro, e eu ainda parado na janela, sentindo cada pêlo do meu corpo se arrepiar de frio e nenhum músculo se move.
tenho medo de descer daqui, você voltar e eu jamais ver esse momento.
tenho medo de você voltar e pensar que eu não te esperei.
tenho medo de você voltar não ter ninguém pra te receber.
mas, mais ainda, tenho medo de sentar aqui pela eternidade e você nunca voltar.

Arquivado como:22:53 h

22:53h [ 5 ] / we are phantoms

o mais engraçado é que mesmo que não haja mais luz, ainda há sombra.
e mesmo que não haja mais presença, sempre há saudade.
e mesmo que não hajam muros de pé ou sol no céu, sempre haverá esperanças.

eu sempre me pergunto cadê a luz que um dia nós vimos.
cantávamos a mesma música em unisono.
éramos várias gargantas e uma só vóz que professava o amor em todas as formas, em nossas formas.
aonde fomos parar?
se ainda ha amor, eu não tenho dúvidas…
há um amor mutável e crescente, se não eterno, um amor duradouro.
passo pelos lugares nos quais estivemos e não me contenho.
passo pelas lembranças das quais tivemos e choro.
se há saudade?
há tanta saudade que talvez eu não seja capaz de lidar com ela.
ou eu esqueço ou morro.

Arquivado como:22:53 h

22:53h [ 4 ] / quatro meses e eu ainda choro olhando suas fotos.

cada degrau que andei, tinha seu nome.
cada momento que passei, tinha sua voz.
cada lembrança que lembrei, tinha seu sorriso.
és eterna e insaciável a dor que sinto.

se me pego na noite, pensando, é estranho como sempre te vejo em meus pensamentos.
se me pego de dia, vagando, é estranho como sempre te espero em meus momentos.
se me pego na vida, chorando, é pra mostrar tamanha a minha vontade e descontentamento.

hoje serei breve.
pois já faz tempo que você foi.
mas não por isso.
hoje serei breve,
porquê faz tempo que você se perdeu de mim.
pois antes era simplesmente amor,
e hoje é sombra do que poderíamos ter sido.

quatro meses é pouco, mas de tanto ter pouco, muito tempo já se passou.
hoje tenho palavras que expressam minha dor,
mas percebo que não tenho palavras pra expressar meu amor…
ou estas já foram usadas ou já não fazem mais sentido.

… até quando essa distância vai me machucar tanto?

Arquivado como:22:53 h

22:53h [ 3 ] / palavras diretas atiradas à teu coração.

nas nossas fotos, um espaço vazio.
nas ligações, ausência de tua voz.
nos nossos momentos, saudade.
já se passara tanto tempo.
tantas luas e tantos sóis…
mas nada capaz de calar meu coração.

acho que escrever poemas e mais poemas, pode se tornar cansativo e até entediante… então vamos-lá:

hoje faz três meses de que você se foi.
três meses que no fatídico 22:53h o ônibus saia da estação e eu não podia fazer absolutamente nada para pará-lo.
hoje faz três meses que você pode, enfim, ganhar a liberdade que tanto merecia.
não sei… é estranho lembrar de ti como alguém que está longe, porque, por mais que estejas à 524km daqui, sua presença comigo é diária, seja por meio de lembranças ou por meio da bendita e abençoada internet.
fotos, webcam’s… falta apenas o som de sua voz, e minhas lembranças estarão mais completas ainda.
sinto sua falta. sinto falta do seu abraço, do seu carinho, das suas resenhas e do seu sorriso doce e sincero.
hoje faz três meses que meu coração se partiu em dois, e, graças à Deus, a outra metade está bem guardada contigo.

é.. espero que eu tenha conseguido falar mais dessa forma do que atravéz de um poema sem graça, né?! ^^”

Arquivado como:22:53 h

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