palavrear

era proibido, esquecido, deturpado. um romance que jamais deveria ter sido contado.

carta à um velho amigo

hoje eu lembrei de nossos dias, de nossas aventuras, de nossas histórias naquela pequena e monótona cidadezinha do interior. de como agente conseguia se divertir sem dinheiro nenhum ou nada de interessante pra fazer à não ser andar sem rumo até que o sol desse caminho para a lua. fosse na casa dos outros, na nossa própria casa, apostando corrida na rua ou dentro de alguma lan house jogando um jogo que era febre naquela época. até nisso éramos iguais. em tudo. em cada momento.
fui invadido por um sentimento de saudade. um misto de saudade e tristeza por não te ter mais por perto. por não corrermos mais pelas ruas desertas de domingo, por não resenharmos mais sobre as histórias que nos aconteciam, por não podermos fazer nada e ainda assim dizer e acreditar que nos divertíamos. um sentimento de nostalgia que me fez querer voltar ao passado só pra ser criança denovo e aproveitar mais um tempo ao seu lado, como se nada tivesse mudado. como se nossos caminhos não tivessem sido diferentes.
éramos inseparáveis. como dois irmãos gêmeos, e, se estivesse comigo ainda, continuaríamos sendo. ou ainda somos.
o desejo de um, era a vontade do outro. a amada de um, era a mesma amada do outro. as idéias de  um, eram as mesmas idéias do outro. nunca tivemos o mesmo sangue ou a mesma mãe, muito menos nascemos no mesmo dia, mas eu te via, sempre te vi e ainda te vejo, como um grande irmão. meu melhor amigo e mais presente irmão.
desculpa se eu te abandonei. se, por um momento ou por vários, eu te deixei de lado ou fingi que nada disso tivesse acontecido. desculpa se eu te destruí por dentro e por fora quando tive que ir embora, mas eu não podia continuar. desculpa se não pude te ajudar, ou te tirar do destino que você tomou.
queria voltar no tempo só pra poder passar mais uma tarde com você.
pena que seja tarde demais…

saudades eternas.

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de mim, para o meu passado.

querido Eu,

entre tantos medos e receios, eu te encontrei escondido em um ser frágil, cego e perdido. te observei de longe durante tantos anos e pude aprender com os seus erros e, só assim, conseguir me tornar quem você é hoje.
eu via o quanto você era feliz, mas ao mesmo tempo via o quanto você era ingênuo, inocente e até leviano com a verdade, as coisas e as pessoas.
era estranho ver que para você, a felicidade era ignorar suas necessidades e fazer os outros felizes atendendo às necessidades deles, negligênciando suas próprias vontades, desejos e sentimentos. para mim, era como viver dependendo de minúsculas “doações” de felicidade vinda daqueles que você ajudava. era tão complexo quando absurdo. chegava à ser pertubadora a maneira como você se negava à dar-se um momento de egoísmo ou de vontade própria. eram tantos sacrifícios e eles jamais serão lembrados. hoje você se vê sentado, sozinho, no meio do nada, fingindo ser feliz enquanto seu egoísmo te domina e te torna cruel para com os outros.
eu também notei que você se contentava com tão pouco, só para não precisar lutar por aquilo que realmente queria ou para não precisar admitir, para os outros e, principalmente, para sí próprio, que aquilo não era o suficiente, que sua vontade era maior e jamais caberia naquele contentamento minúsculo que tentava esboçar um sorriso. um altruísmo comovente, mas patético de se viver. talvez você chegue à me julgar idiota, mas agora você precisa de muito para ser feliz
ainda lembro dos seus olhos vibrantes em cada novidade de que você vivia e quão bela era a exaltação dessas coisas. hoje você não é mais assim. cada conquista é apenas uma conquista, comemorada com um sorriso forçado e discreto, talvez um sopro de felicidade no coração, que logo é substituída por uma seriedade, e até frieza, por assim dizer, que vem te dominando à cada dia mais. é como se você estivesse conquistando degraus nessa escada tão íngrime apenas por conquistar, para não se deixar cair ou fracassar.
sinto muito que você tenha mudado tanto de antes para quem somos hoje. se eu disser que não sinto saudade, estarei mentindo, mas também se eu disser que quero voltar à ser como você, eu estaria mentindo mais ainda. apenas me nego à regredir. talvez quando você for eu, você entenda.

saudades imensas de você.
do seu Eu presente.

Arquivado como:Cartas, Diogo Moraes

o primeiro fim

hoje começo à sentir a saudade de pessoas que eu conquistei e que me conquistaram.
pessoas tão diferentes e que eu aprendi a amar, em tão pouco tempo.
pessoas que me fizeram rir e chorar, que me ensinaram à superar e à viver de uma forma que eu nunca imaginei aprender.
pessoas que, quando eu precisei, estiveram do meu lado sem pestanejar e que quando tudo parecia dar errado, se mantiveram forte e de cabeça erguida.
(por ordem alfabética)
andré, um cara excepcional, com garra e determinação que muitas vezes nem o mesmo imagina que posssui e que sabe ser o melhor em tudo o que faz.
menanda, que me mostrou que as aparências enganam muito mais que qualquer coisa, e que muitas vezes, o mais fino cristal pode ser tão inquebrável quanto o mais denso dos diamantes.
milena, que acima de tudo, superou à sim mesma e aos problemas sem desistir e sem olhar pra trás.
natália, que me ensinou que, quando se acha que não se pode aprender mais nada, eis que a vida surge perante seus olhos.
os quatro que estiveram comigo desde o começo e que, não importa para aonde seguirmos, estarão comigo em minhas atitudes, pensamentos e idéias enquanto o tempo durar.
com características tão diferentes e tão distantes e distintas, nos unimos e nos completamos como um grande quebra-cabeças que se manteve e se construiu a cada dia que passou.
noites inesquecíveis que jamais sairão da minha cabeça…
a tia do cachorro quente, a lanchonete do pessoal de direito, a sala da “depressão”  (impressão), os seminários, as resenhas (principalmente a do salário)…
pessoas que eu contarei para meus filhos um dia… as pessoas que me mostraram o caminho e me deram forças pra enfrentar e chegar até aonde o destino me levar.
pessoas que me ensinaram que o sorriso é tudo o que precisamos para ser feliz e, acima de tudo, para dar felicidade aos outros.
saibam.. que não importa para aonde eu vá, ou para aonde vocês vão, hoje eu sou uma pessoa melhor porquê vocês me fizeram ser melhor e que, não importa quanto tempo passe, eu vou sempre lembrar de vocês… minha “gangue”.
me dói o coração, ter que estar longe de vocês (temporária ou permanentemente, não sei.) e não ter vocês ao meu lado todo dia.
enquanto eu respirar, tenham certeza de que vou sentir falta de vocês.
amo vocês.

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para as duas pessoas mais importantes desse mundo

Eu sinto que lhe devo desculpas. Você me disse, tentou me alertar sobre o show, mas eu quiz tentar mesmo assim.

Hoje eu estou me sentindo um idiota. Eu dei tempo, sangue, pedaços de noites em claro e dinheiro por aquele evento, e tudo que tinha pra dar errado, deu errado. O som atrasou, as bandas atrasaram e nós tivemos que trocar a ordem, teve banda invadindo o palco e eu tive que ser enérgico e mandá-los sair do palco – banda por sinal de amigos meus que eu tive que ter pulso firme, gritar, ter autoridade e mandar descer do palco, posteriormente gerando um atrito grande e provavelmente eu perdei a amizade dos mesmos, se já não o fiz -, não obtivemos lucro nenhum, eu cheguei cansado, estressado e frustrado em casa ontem à noite.
Eu sei, você me avisou, mas eu tentei. Pela primeira vez eu assumi um risco por conta própria, sabendo das consequências e de tudo que poderia haver. Não me arrependo. Apesar de todo o fracasso, eu aprendi pra caralho ontem… aprendi á ser enérgico e ter liderança de uma forma que eu não tinha antes, aprendi à lidar com desafios e imprevistos que antes eu nem imaginava, aprendi à fracassar e hoje, domingo, eu estou aprendendo à lidar com meu fracasso e a dar a volta por cima.
Ontem eu errei em muita coisa, mas eu acertei em muita coisa também, principalmente comigo mesmo. Eu fui até parabenizado por várias pessoas pelo meu pulso firme, determinação e organização.
Por outro lado, esse foi só o meu primeiro show. As pessoas não aprendem à andar, sem cair antes. Eu tô aprendendo à cair pra depois andar. Eu posso ter fracassado, mas eu não vou desistir. Eu já desisti de muita coisa até hoje e eu cansei de desistir. Eu tentei, vou continuar tentando até acertar, custe o que custar.
Além de te pedir desculpas, eu quero te agradecer. Agradecer por, mesmo sabendo e vendo que ia dar errado e sabendo dos riscos todos, você confiou em mim. Você não acreditou que eu pudesse fazer, mesmo sabendo que tava tudo contra. Saiba que isso pra mim foi indiscritível. Saber que mesmo que tudo ia dar errado, você esteve ao meu lado. Não só você, como ela também! Que me ajudou, me deu apoio e esteve sempre alí pra me ouvir desabafar as frustrações dos erros que agente cometia nas reuniões e assim por diante. Ter vocês dois comigo, foi a coisa mais importante pra mim nisso tudo. Eu posso ter fracassado e errado no show, mas em uma coisa eu tenho certeza de que eu acertei: eu pude enxergar – o que já venho enxergando à semanas – que vocês estão e sempre estiveram do meu lado, por mais que às vezes eu não desse o braço à torçer.

Amo vocês dois!

Arquivado como:Cartas, Diogo Moraes

carta para uma luz que nunca se apaga

SunShine,

sabe, eu não sei por onde começar, mas talvez eu tenha uma idéia…

pra começar… eu te amo e isso jamais vai mudar, independente de para aonde nós possamos ir, muito menos das palavras que proferimos uns aos outros.
desculpe-me, de verdade, por todas as palavras que te disse, por todos os sonhos que te arranquei, por todos os momentos que não fui capaz de te proporcionar.
desculpe-me por todas as vezes que te fiz chorar e por todas as vezes que não te fiz rir o suficiente.
sou e estou ciente de meus erros em toda a nossa trajetória, e não só na nossa, mas como na minha individual também. e não se engane… se pudesse fazer, faria tudo novamente, pelo simples fato de que, por tudo o que passamos, eu te amei mais e mais.

sei que eu devia esta e outras cartas há muito tempo, e saiba que eu escrevi todas mas as guardei. talvez não fosse necessário escrever tudo aquilo, afinal, eu todo dia fazia questão de te olhar nos olhos e estar ao teu lado… fosse num shopping qualquer, sentado na praça de alimentação, na porta de sua escola ou simplesmente no ônibus… o mais importante era estar ao teu lado.
principalmente.. desculpa se não te disse que te amo mais vezes. eu fui tolo em acreditar que meus olhos empretecidos por tanta dor seria capaz de demonstrar um amor tão grande assim.

ainda me lembro, de todas as vezes que eu ficava debaixo do sol de meio dia, eperando que você saísse somente pra te abraçar e te olhar, com aquele meu olhar bobo de quem não sabe o que dizer, mas que diz qualquer coisa só pra prender tua atenção à mim.
lembro-me de todas as vezes que eu me mordia de ciúmes só porquê você dizia que amava àquele que você chamava de namorado, e ainda pior, lembro-me de todas as vezes que saímos com ele à tira-colo e eu tinha que o aguentar só para estar ao teu lado por um momento.
lembro-me te todos os momentos que dividimos juntos e te juro… não me arrependo de nenhum.

sobre arrepender-se… digo-lhe, que meu maior arrependimento foi não ter te dado o valor ao qual merecia.
arrependo-me de não ter estado ao teu lado mais vezes e/ou por mais tempo.
arrependo-me de jamais ter feito uma serenata pra você, ou ter recitado algum dos diversos poemas que escrevi para ti.
arrependo-me de nunca ter te dado a mão, nunca ter dividido um milk-shake, nunca ter te dado flores… de nunca ter te dado um beijo como eu queria tanto dar.

todos os dias eu olho para a minha imagem refletida no espelho e noto quão duro e infeliz meus olhos se tornaram agora que estão longe dos teus.
olho a imagem de alguém que parece sempre cheio de si e confiante, mas que na verdade remenda os cantos dessa máscara que usa sempre, para que ninguém perceba que falta algo em mim, que falta alguém em mim.

me perdoe se nunca escrevi esta carta antes, ou se estou escrevendo tarde demais.
me perdoe se eu perdi você.
me perdoe se eu fui um burro que jamais revelou verdadeiramente o quanto és importante pra mim.

saiba… que mudando, ou não, eu te amo do jeito que você é… e que se mudar ou deixar de fazer algo é importante pra você, por mais que eu não concorde, estarei ao teu lado, pois estas são suas escolhas e suas escolhas fazem quem você é, e essa pessoa decidida e forte que eu amo.

apesar de tudo, te amo de verdade.
te amo como jamais pensei que poderia amar.
te amo de uma forma que nenhuma cela poderia aprisionar.
te amo de uma forma que nem toda a luz do sol poderia ofuscar.
te amo mais do que você imagina.

e se isso for um adeus, eu irei, com o coração espedaçado de uma forma que talvez eu jamais consiga juntar novamente.
mas, irei apenas porquê te amo, e faço, farei e faria qualquer coisa para ver-te feliz.

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a carta que nunca chegou à seu destino

Dentro de quatorze dias fará quatro meses que você se mudou, e, por meio desta, venho te dizer que por mais que estejas longe, eu sinto sua presença ao meu lado diariamente! Em cada passo que dou, em cada palavra que digo, em cada rosto que vejo.
Nada em minha vida, até hoje, foi tão intenso quanto o meu amor por ti. Nada foi tão perfeito e perpétuo que me marcou como você me marcou e marca até hoje.
Sabe… sinto saudade do telefone tocando pelas manhãs, com seu nome escrito nele, seguido por um coração toscamente representado por um S e o número 2.
Sinto saudade de você me olhando com seus olhos mais que perfeitos e ingênuos, esperando que eu diga algo engraçado ou que deixasse você sem graça. (aqui entre nós? eu sei que você gostava quando eu te deixava sem graça).
Sinto saudade de quando agente simplesmente sentava no chão e olhava um para o outro, admirando o quanto podíamos ser tão perfeitos juntos, em vários sentidos.
Sinto saudade de quando eu podia te abraçar e tudo isso era o suficiente pra dizer o quanto eu te amava e o quanto você importava para mim.
Sinto saudade de te ver sorrir.
De te ver chorar.
Sinto saudade apenas de olhar-te sair pelo portão.
Portão esse que eu espero até hoje se abrir e você sair de dentro.
Tenho saudade de ouvir sua voz e, principalmente, de ouvir você dizer “Diiii” da forma que só você sabia dizer.
Ainda dói muito… lembrar daquela noite em que você, preso dentro de um carro, passava por nós e simplesmente eu não pude fazer nada à não ser me calar. aonde eu tive que me conter pra não chorar na frente daqueles que me rodeavam.
Ainda dói muito lembrar que eu tive que te ver chorando porquê iria se afastar de nós.
Ainda dói muito lembrar que eu fui impedido de ir até a rodoviária pra me despedir de você.
Poxa… eu nem sei como dizer tudo o que sinto sem me tornar repetitivo, afinal, dizer que te amo é a única coisa que eu nunca me canso de falar e espero que você nunca se canse de ouvir.
Sinto muito sua falta hoje, ontem e sempre.
É impossível pra mim dizer o quanto és importante, por mais que eu tente.
Por favor.. não suma nunca de minha vida.
Preciso de você.

Te Amo.

Arquivado como:Cartas, Diogo Moraes

carta para o irmão distante

eu poderia escrever mil palavras aqui pra dizer o quanto sinto sua falta.
poderia falar mil coisas bonitas ou escrever uma carta emocionante.
não sei.

talvez nada baste. talvez nada seja o suficiente pra expressar o quanto eu sofro por estar tão perto de você fisicamente, mas tão longe sentimentalmente.

lembro-me da primeira vez que falei contigo… enquanto estávas encostado na balostrada do salesiano, esperando sua irmã.
desde a primeira vez que te vi, eu senti que você faria-me bem, então, eu precisava falar contigo, e assim o fiz.
hoje agradeço à minha cara de pau de ter falado contigo, pois com você tive conversas memoráveis e momentos mais que agradáveis.

lembro me de ti sempre.
e lembro de me de cada coisa que fizemos juntos, cada momento…
do geladinho de manga de sua avó, de você jogando bola no “campinho” em frente à sua casa, de nós rindo no ônibus voltando da estação pirajá…
lembro dos seus olhos brilharem quando viu aquela chuteira da nike na centauro do iguatemi…
lembro-me de você ficando com Haila no cinema.
lembro-me de muitas coisas boas em minha vida… e você esteve presente em várias delas desde que nos conhecemos.

sabe… sinto muito sua falta.
mas sim, entendo que você cresceu e hoje não é mais aquele menino que conheci, és homem. e sim, entendo que eu não sou o seu tipo de companhia preferido… mas eu só queria poder passar um tempo ao seu lado.
como fazíamos há dois anos atrás, quando ficávamos no quarto de manu conversando e resenhando, nós três.
naquele momento, o mundo pra mim parava. eu era feliz como ninguém.
minha fortaleza era saber que vocês eram felizes e estavam bem.
hoje? … hoje eu não sei nem mais quanto medes, ou aonde estudas.

eu sinto muito que eu tenha me perdido de você e você de mim.

te amo eternamente.

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