teu perfume sobe as escadas, atravessa as paredes e portas de madeira de lei e penetram em minhas narinas, fazendo-me inebriar com sua chegada. penteio meus cabelos, coloco minha melhor roupa e vou te esperar na porta, como mandam as regras.
espero-te sentada de frente para a porta, com as pernas abertas revelando o meu segredo molhado. agarro-te pela gola da camisa suada, deixando que sua lingua entre em minha boca e suas mãos procurar as minhas fraquezas.
deixo que tire minhas roupas e me desnude como quem destrincha um pedaço de carne do osso, observando cada veia, cada nervo contraído, cada carne vermelha e reluzente que eu insisto em revelar.
me atrevo e tiro cada peça de roupa que cobre o teu corpo definido e escultural, molhado em suor e tesão. deixo-me levar e acabo puxando-te para perto do meu ventre.
fecho os olhos e percebo teu desejo rasgando meu íntimo, esfregando cada pedaço de carne em minha carne e cada pedaço de alma em minha alma num movimento frenético que rompe as barreiras do prazer.
percebo teus olhos penetrando os meus, assim como o teu desejo penetra em mim e me descobre de todos os pudores e segredos que eu possa esconder.
sinto-me em uma mistura de prazer e tortura, que não me deixa decidir se me largo e me entrego, ou se me prendo ao serviço e espero você terminar de cobrar a sua parte para que eu possa cobrar a minha parte do trato.
me entrego.
sinto o refulgor subir da ponta dos meus pés até minha nuca tensa. agarro-me às tuas costas com as unhas e arranho-te marcando cada gozo que eu tive, cada gemido que eu dei, como um músico marca o rítimo na partitura.
percebo suas coxas contra as minhas, seu peito acelerando em batidas ritmadas com seu coração. sua respiração aumenta ao mesmo tempo que a minha. somos a sintonia perfeita.
reviro os olhos enquanto me inundo com o seu prazer. me perco em sentidos e desfaleço em teus braços.
espero deitada enquanto vejo-te banhar e se vestir. a pior parte desta hora. fingir que não me importo com a partida de sua pele morena e dos seus olhos negros.
seguro em minhas maos o dinheiro que me dá, como se segurasse uma parte de ti comigo. como se segurasse dentro de mim sua carne macia e rígida.
vejo-te partir e me levanto, preparando para lavar o corpo, o íntimo, a alma e os lençóis sujos. agora só me resta esperar o próximo amante e o próximo pagamento.
Arquivado como:Hurricane Shirley

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