palavrear

era proibido, esquecido, deturpado. um romance que jamais deveria ter sido contado.

the place where i belong.

8 | Julho, 2008

os reencontros dos últimos dias me fizeram pensar bastante sobre o meu caminho real e sobre o caminho que eu tenho trilhado.

eu notei o quanto eu mudei, e mesmo tão diferente, ainda consigo ser igualzinho ao que eu fui um dia.
a carcaça dinâmica e superficial deu um giro de 180 graus, mas, os ideais ainda são exatamente os mesmos, mas com uma pequena diferença: eles ganharam mais força dentro de mim.
antes eu lutava pela liberdade, e hoje eu a busco, a admiro e a conquisto. hoje eu a respeito.
antes era uma luta cruel e sem propósito, causada pela rebeldia irracional de um adolescente, e agora é uma meta profunda na visão arbitrária do homem que me tornei.

eu também notei que sempre vivi uma busca insensata por um lugar pra chamar de meu, por um lugar que eu pertença e não seja só mais um, e agora… ah.. agora eu descobri que lugar é esse.
eu estou construíndo este lugar… com tijolos que se formam apartir de cada conquista que eu tenha, apartir de cada esperança que eu crie e apartir de cada sonho que eu realize.
e enquanto esse lugar não fica pronto, não há porquê eu me desesperar.
é só fechar os olhos e voltar pra casa. ou viajar para frança, inglaterra ou espanha… que seja…
talvez eu nunca termine de construir o meu “lugar”, admito, mas de uma coisa eu sei… que, mesmo que inacabado, eu sempre terei um lugar pra voltar quando eu me perder e sempre terei um lugar pra voltar quando não houver mais forças pra continuar.

mais pra frente ainda em meus pensamentos, eu reparei, de relançe, a minha relação com o amor.
eu, como todo mundo um dia, esperava encontrar alguém que me entendesse e me completasse. alguém que estivesse ao meu lado sempre que eu precisasse.
triste ilusão? não. talvez um simples equívoco de minha mente inocente.
hoje eu ainda espero… mas não por esse alguém perfeito. hoje eu espero simplesmente por alguém que me ame assim como eu me amo.
e esse amor pode vir de várias formas.
pode ser um amor de amigo, amor de irmão, amor de homem e mulher, amor por algo que eu faça ou simplesmente amor por mim mesmo.

noto também o meu sofrimento.
antes eu sofria pouco, e fazia disso uma tempestade em copo d’água. eram dores que eu dizia não aguentar, e por vezes, pensei em cortar o mal pela raiz.
hoje… eu sofro muito mais.
sofro por verdades e segredos meus que revelei, sofro por nem sempre poder ser eu mesmo, sofro por ver que muitos de meus planos sempre foram ilusões e idéias infundadas.
eu, com minha impulsividade típica de joven, fiz coisas das quais eu, talvez, me arrependa. achei que pudesse aguentar todo o fardo, este que eu não imaginava o tamanho que tinha.
talvez eu estivesse pronto. talvez eu não estivesse. tarde demais pra voltar atrás.

ta aí outro fator. eu sempre fui muito inconsequênte.
eu sempre agi pelos impulsos que me vinham na cabeça e no coração.
e agir pelos impulsos, é o mesmo que pular de um avião sem paraquedas.
e foi isso que eu sempre fiz… sempre pulei, sem nem olhar para baixo para ver se sobreviveria à altura do salto… até hoje, eu aguentei. mas até quando terei a mesma sorte?
até quando meu corpo suportará cair das mais diversas alturas?
e pra piorar… cada vez, eu subo mais e mais alto, o que torna e tornará cada vez mais perigosas as minhas quedas, até um dia em que eu não aguentar mais.
tudo isso é certo, com um diferencial.
hoje eu estou pronto, eu acho, pra pular cada vez mais de cima.

é… com certeza eu mudei, mas como noto, pra melhor.
pena que nem todos consigam ver dessa forma…
se machuco as pessoas, não é minha intenção. eu só tento viver minha vida e encontrar a tal felicidade que eu ainda acredito existir.
e pena que talvez, meu presente esteja destruíndo meu passado, e destruíndo algumas das mais sólidas relações que eu tive.
infelizmente… não se pode ganhar todas!

… tantas vezes que já chorei calado e sem ninguém perceber.
tantas vezes não houveram palavras que pudessem aplacar a minha dor.
tantas vezes eu tentei me apoiar e só senti o vazio ao meu lado.

não quero parar de sonhar. não quero parar de ter esperanças.
quero, um dia, poder olhar para mim no espelho e dizer o quanto tenho orgulho de ter passado por tudo que passo e passei, e ter sobrevivido e me tornado uma pessoa melhor.

tenho tentado não pensar no que passo.
fazer isso só iria me deprimir e me fazer recuar. voltar à ser um pássaro preso à minha gaiola. sem nem poder abrir as asas direito.
quero simplesmente continuar vivendo, sofrendo as consequências que não esperava do que me atrevi antes, inconsequentemente, e fazendo novas coisas, mas, dessa vez, sabendo muito bem o que virá e disposto à aguentar e lutar até o fim.
ou eu me torno homem pra não ter medo de enfrentar meu destino, ou eu serei simplesmente uma árvore que não soube crescer e perdeu suas raízes…

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